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Percy Harding, percy_harding@yahoo.com.br , 03/01/2009

A Perfeição de Adão e a Imperfeição de Todos Nós

 

As Testemunhas de Jeová sustentam a interpretação literal da maioria dos eventos narrados no livro de Gênesis envolvendo Adão e Eva. Por exemplo, acreditam que Adão realmente existiu e que através de seu pecado toda a humanidade herdou a imperfeição – o que explicaria todo sofrimento, doença, envelhecimento e morte existentes.

Há, contudo, certas questões desconcertantes que inquietam aqueles que analisam as interpretações muito particulares da Torre de Vigia – entidade responsável pelos ensinos oficiais das Testemunhas de Jeová. Para entender melhor o que queremos dizer com isso, comecemos analisando uma recente resposta dada no artigo “Nossos Leitores Perguntam”, publicado em A Sentinela de 1º de outubro de 2008, na página 27. 

 

 

De início, convém fixar o que significava a “perfeição” - ainda que “limitada” - do homem Adão. Observe o diagrama abaixo:

 

 

 

 

 

                                                          

 

O artigo diz: “Foi possível Adão pecar porque Deus o criou com livre-arbítrio.” Ora, o livre-arbítrio fazia parte do “pacote” do projeto de criação do perfeito Adão. Será que ele deixaria de ser “perfeito” dependendo das escolhas que fizesse?

A analogia com a faca que é “perfeita para cortar carne”, mas imperfeita para se tomar sopa só serve ao objetivo de confundir e desviar o leitor do foco principal da questão. Ainda assim poderíamos perguntar: acha mesmo que a tal faca deixaria de ser perfeita para o propósito para o qual ela foi projetada só porque foi usada uma ou outra vez para se tentar tomar sopa? Não acha que ela continuaria sendo perfeita para cortar carne? Seguindo esta linha de raciocínio, não deveria Adão continuar sendo “perfeito”, apesar de seu erro?

O redator do artigo assegura que “uma coisa é perfeita apenas em relação ao propósito para o qual ela foi projetada”. Então, veja a definição que a Torre de Vigia apresenta para o que envolvia o projeto da criação de Adão:

 

 

Em outras palavras: todos os descendentes de Adão deveriam nascer “perfeitos”, ‘dotados de livre-arbítrio’ em harmonia com o projeto de Deus.

Mesmo assim, será que haveria alguma possibilidade de tal projeto sair falho? Preste atenção na afirmação que a Torre de Vigia faz a seguir:

 

 

Veja bem: o projeto da criação terrestre, do ponto de vista de Deus, era ‘muito bom’. Assegura-se que, mesmo “quando Adão pecou, seu Criador não precisou corrigir algum defeito de projeto”! Visto que o Criador não viu necessidade de corrigir algum defeito no projeto da criação nem mesmo depois do “pecado” de Adão, isso reforçaria a tese de que todos os descendentes do primeiro casal humano deveriam poder ser gerados “perfeitos” -  mesmo depois do “pecado”!

A seguir, faz-se uma comparação entre o proceder de Adão e o de Jesus:

 

 

Esse cenário suscita também algumas dúvidas inquietantes:

Prosseguindo:

 

De novo, essas considerações acima só servem para desviar o foco da questão. O uso do livre-arbítrio, por parte de Adão, não invalidava o projeto do Criador que, como já foi assegurado antes, era ‘muito bom’, mesmo depois do pecado de Adão.

Finalizando este artigo, deparamo-nos com a seguinte afirmação da Torre de Vigia:

 

 

Após tudo considerado, observe os diagramas abaixo:

 

PROJETO DA CRIAÇÃO DE ADÃO:

 “Uma coisa é perfeita apenas em relação ao propósito para o qual ela foi projetada... Quando Adão pecou, seu Criador não precisou corrigir algum defeito de projeto...”

 

 

Adão, embora "perfeito", decidiu escolher o caminho que levaria a "MORTE".

Isto o tornou "imperfeito"?

 

 

 

Note que, não importa como "nós" decidamos usar o "livre-arbítrio", o resultado será a "MORTE".  Isto nos leva mais uma vez à pergunta: Por que não herdamos além do "livre-arbítrio", a "perfeição" de Adão?

 

 

“Adão pecou antes de ter filhos. Por isso, todos os seus descendentes nasceram imperfeitos.”

Para analisar as implicações desta frase vamos recorrer agora a outro artigo publicado há mais de 50 anos em A Sentinela sob “Perguntas dos Leitores”. Trata-se do número (em português) de 1º de julho de 1958, página 414.  Observe a pergunta ...

 

Por que, depois de receberem de Deus a ordem expressa de multiplicar-se e encher a terra, refrearam-se Adão e Eva de cumprir esta ordem de procriação enquanto ainda eram perfeitos, no jardim do Éden?

 

E a resposta...

 

 

Fazer tal pergunta a respeito de Adão e Eva é como tentar intrometer-se nos assuntos particulares dum casal cristão, hoje em dia, e perguntar por que ainda não tem filhos. Jeová Deus não especificou o tempo em que Adão e Eva deviam começar a ter filhos perfeitos para encherem a terra. Sendo êles perfeitos, suas relações sexuais teriam por fim reproduzir a espécie humana. Evidentemente não tiveram relações entre si, para gerar filhos, enquanto se achavam no jardim do Éden. É evidente que não geraram filho antes de serem expulsos do jardim do Éden; de outro modo, seu primeiro filho, nascido depois de sua expulsão, e chamado Caim, teria nascido perfeito de sua mãe Eva, assim como Jesus nasceu perfeito de sua mãe imperfeita, Maria. Por quê? Porque Caim teria tido o perfeito Adão por pai.

 

 

A pergunta suscitada certamente não é impertinente como parece dar a entender o redator do artigo. Por quê?  Segundo o conceito da Torre de Vigia, Adão e Eva não eram um casal qualquer. Eles foram os ancestrais de toda família humana e, por suas ações, tornaram-se os responsáveis diretos por toda herança de sofrimento e a condenação à morte infligida aos seus descendentes.

Quando a Torre de Vigia alega que ninguém deveria se intrometer nos assuntos particulares daquele casal e questionar por que não tiveram relações sexuais enquanto eram “perfeitos”, ela está tentando desviar a atenção para um embaraçoso cenário que se desenvolveria naquele episódio. Imagine:

· Adão e Eva obedecendo à ordem expressa de seu Criador -‘crescei, multiplicai e enchei a terra’-  gerando filhos “perfeitos” no Éden;

· Pouco depois, o mesmo casal desobedecendo outra ordem expressa de seu Criador -comendo do fruto proibido -  sendo expulsos do Éden e gerando filhos “imperfeitos”.

 

Como ficaria a questão da redenção da família humana, pelo único sacrifício de Jesus se houvesse duas classes de humanos: os nascidos “perfeitos” e os “imperfeitos”?

Para dar uma satisfação aos seus leitores, veja o que a revista chega a afirmar:

 

Jeová Deus não expulsou Adão e Eva do jardim do Éden apenas porque não começaram prontamente a ter filhos, segundo a ordem de procriação. O pecado pelo qual foram expulsos do Éden era comerem do fruto proibido "da arvore do conhecimento do bem e do mal".  (Gên. 2 : 17)   Seu primeiro ato de relações, que a Bíblia registra, deu-se depois de sua expulsão do Éden, como pecadores. A razão por que não tiveram relações e geraram filhos durante sua estada no jardim do Éden é assunto particular dêles.

Isto se mostrou bastante providencial. Tornou possível que todos os descendentes de Adão e Eva, fora do jardim do Éden, fôssem remidos pelo único  sacrifício humano do Senhor Jesus Cristo. Não deixou sobrar nenhum filho, ou filhos, nascido perfeito no jardim do Éden, que não precisasse ser remido pelo sacrifício de Cristo, enquanto a maioria da humanidade, nascida imperfeita, fora  do paraíso do Éden, precisasse da  redenção por  Jesus  Cristo. Visto que todos os descendentes de Adão foram gerados em pecado, fora do jardim do Éden, todos nasceram imperfeitos por herança de um só homem. Todos ficaram sujeitos à morte por causa de um só homem, Adão, e assim todos os que queriam a salvação podiam recuperar a vida eterna pelo sacrifício de um só homem,  Jesus Cristo. - Rom. 5:12; 1 Cor. 15:20-22.

 

Lido assim, é realmente chocante alguém achar “providencial” que toda a humanidade tivesse sido gerada apenas após o primeiro casal ter sido expulso do Éden. É como se dissessem: “Bem, já que haveria mesmo necessidade de redenção do pecado herdado, que bom que isto se aplica a todos os humanos. Para quê complicar a situação, supondo-se que houvesse humanos nascidos perfeitos? Foi melhor (“providencial”)  todos nascerem já condenados à morte mesmo!”

Ou, fazendo uma analogia: Um casal tem dez filhos. Quatro nasceram com boa saúde.  Os demais nasceram com o vírus da AIDS porque seus pais, depois de um tempo, haviam contraído esta doença. Aí alguém chega e diz: ‘Visto que se desenvolverá uma vacina contra a AIDS seria mais providencial que todas as crianças  tivessem nascido infectadas”!

 Absurdo? Pois parece ser este o raciocínio desenvolvido nos parágrafos da revista A Sentinela.

 

CONCLUSÃO AOS DOIS ARTIGOS: Ao se analisar as interpretações da Torre de Vigia no relato de Gênesis, envolvendo Adão e Eva, muitas inconsistências e dúvidas inquietantes acabam vindo à tona, conforme acabamos de expor.

 A estória poderia ser mais justa e menos complicada se, independentemente do pecado de Adão, todos os seus descendentes tivessem nascido perfeitos, cada qual fazendo uso de seu livre-arbítrio  e decidindo  que direção tomariam na vida. E arcando com as conseqüências de SUAS decisões.

Ainda assim restaria a seguinte questão sobre o livre-arbítrio:

 

 

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